Você já reparou que alguns casais parecem ter encontrado a fórmula mágica para uma relação feliz e duradoura? A verdade é que não há mágica envolvida – apenas princípios fundamentais que sustentam relacionamentos bem-sucedidos.
Vamos explorar esses princípios e como eles se entrelaçam para criar laços verdadeiros e duradouros, incluindo a questão das prioridades entre o parceiro e os filhos.
Visão Sistêmica: Entendendo o Todo
Para entender verdadeiramente um relacionamento, precisamos adotar uma Visão Sistêmica. Isso significa olhar além das interações individuais e considerar o relacionamento como um sistema complexo, onde cada parte impacta e é afetada por todas as outras. Isso inclui não apenas os parceiros, mas também os filhos, a família e até mesmo a comunidade ou grupo social em que estão inseridos.
Nesse contexto, entender o relacionamento como um sistema implica reconhecer as interconexões entre seus elementos. Por exemplo, conflitos entre os pais podem afetar o ambiente emocional da família como um todo, influenciando o bem-estar dos filhos e até mesmo a dinâmica social dentro da comunidade. Portanto, uma abordagem sistêmica envolve considerar não apenas os indivíduos envolvidos, mas também os padrões de interação, as influências externas e as consequências de longo prazo.
Equilíbrio: O Pilar Fundacional
Para começar, vamos falar de uma das principais leis sistêmicas: o equilíbrio.
Ele é a chave para qualquer relacionamento saudável. Isso significa que ambos os parceiros devem contribuir de maneira justa e igualitária para o relacionamento. Quando um parceiro assume mais do que sua parcela justa de responsabilidades, o equilíbrio é desfeito, levando a ressentimentos e tensões.
Imagine que cada parceiro tenha a parcela de 50% de responsabilidade no relacionamento. Esses 50% somados, totalizam 100%, certo? Sendo assim, os dois devem focar em um mesmo propósito e fazer um pelo outro de forma mútua e nesse ponto, muitos deixam a desejar, no qual uma parte faz demais enquanto outra faz de menos, isso inclui foco no trabalho, despesas e ordem da casa e cuidados com os filhos. Encontrar esse equilíbrio exige comunicação aberta, compromisso mútuo e disposição para ouvir e apoiar um ao outro.
Além disso, na Visão Sistêmica, o equilíbrio não se limita apenas às tarefas e responsabilidades diárias, mas também abrange aspectos emocionais, afetivos e de poder dentro do relacionamento. O desequilíbrio nessas áreas pode levar a dinâmicas disfuncionais, como codependência, falta de autonomia ou sentimentos de inferioridade, afetando negativamente a saúde do relacionamento como um todo.
Na codependência, uma das partes se sente de pés e mãos atados. Se sente mais “dependente” do outro. Isso é algo que leva completamente ao desequilíbrio entre o casal, pois o codependente projeta inconscientemente no parceiro ou parceira aquela figura de autoridade que faltou na sua infância, seja o pai ou a mãe. Inconscientemente, o codependente continua olhando para o parceiro como um filho olha para o pai ou a mãe, ocasionando assim, o desequilíbrio entre o casal.
A falta de autonomia e os sentimentos de inferioridade são os resultados da codependência, nas quais a pessoa dependente sente que não dará conta de assumir alguma responsabilidade, devido a isso a importância do compromisso mútuo entre as partes para que juntos consigam seguir adiante em direção ao mesmo propósito.
Respeito e Comunicação: A Alma do Relacionamento
Outro ponto super importante para ter um relacionamento duradouro é o respeito mútuo. Ele é essencial para cultivar uma relação saudável. Isso significa reconhecer o valor único de cada parceiro, valorizar suas opiniões e necessidades e tratá-los com dignidade e consideração. A comunicação é a ferramenta através da qual o respeito é expresso e os desafios são superados. Uma comunicação aberta, honesta e respeitosa é essencial para qualquer relacionamento bem-sucedido.
Na perspectiva sistêmica, o respeito vai além do reconhecimento individual e engloba a aceitação das diferenças, no qual cada um respeita e compreende o limite do outro, a profunda compreensão chega quando ambos entendem que não consegue mudar o outro e que sim, cada um inicia a própria mudança a partir de uma nova consciência ou até mesmo necessidade para estar bem ao lado do parceiro. Há também a valorização da diversidade, no qual o casal respeita a cultura, a etnia e a religiosidade compreendendo que isso é e faz parte de um dos grandes valores do indivíduo único, pois essas bases estão extremamente alinhadas à consciência coletiva, da qual a pessoa se sente pertencente e amada de onde veio e da história que a compõem até o encontro do parceiro.
E por fim, a promoção de um ambiente seguro para expressar pensamentos e sentimentos, afinal de contas uma ambiente seguro é aquele que cada um pode expressar quem realmente é, falar de seus desejos, medos sabendo que o outro está ao lado para apoiá-la no que for necessário para que alcancem juntos um “meio do caminho” que fique bom para as duas partes, pois, isso envolve as crenças e até mesmo os bloqueios traumáticos que estão intrinsecamente envolvidas nos próprios valores. O que auxilia nesse processo de melhoria contínua e equilíbrio saudável está em uma comunicação eficaz dentro do sistema do relacionamento amoroso, que envolve não apenas falar, mas também ouvir ativamente, compreender perspectivas diversas e buscar soluções colaborativas para conflitos e desafios do dia a dia, seja entre as necessidades do casal quanto às necessidades de conquistas próprias, como por exemplo, na auto realização profissional.
Crescimento e Adaptação: O Caminho para a Evolução
E, vale lembrar que, relacionamentos saudáveis não são estáticos; eles crescem, evoluem e se adaptam ao longo do tempo. Isso requer flexibilidade, compromisso e disposição para aprender e crescer juntos. À medida que enfrentamos desafios e mudanças ao longo da vida, algo novo é aprendido, novos caminhos são descobertos e novos projetos também surgem e para isso, é importante que os parceiros permaneçam unidos, encarando esses desafios de frente e fortalecendo sua conexão.
Na perspectiva sistêmica, o crescimento e a adaptação são processos contínuos que refletem a capacidade do relacionamento de se ajustar às demandas internas e externas. Isso envolve não apenas superar obstáculos e desafios do dia a dia, como também os traumas individuais que cada um vivencia e para isso, a importância de integrar novas experiências, valores e aprendizados para fortalecer os vínculos entre os parceiros. A resiliência do relacionamento é testada não apenas em tempos de estabilidade, mas também durante períodos de transição, tanto que é conhecida nas leis da natureza como a Lei da transformação, que é a responsável por impulsionar o homem para a evolução, pois se reflete sobre a transformação. Para refletir sobre isso, parafraseio Nietzsche “Eu vos digo: É necessário o caos para que haja uma estrela dançante.” Perceberá que há uma boa dose de insatisfação responsável para que a pessoa aja para a mudança e geralmente acontece quando está em meio ao caos.
Prioridades e Hierarquia: Parceiro ou Filho?
Um ponto mega importante que vários casais ficam em dúvida é: quem merece prioridade – O parceiro ou o filho?
Nós sabemos que a dinâmica muda quando os filhos entram em cena. Muitos pais querem ser exemplares, mas é essencial lembrar que, antes de tudo, são parceiros. Segundo a lei da hierarquia nos relacionamentos, o parceiro é quem tem prioridade. Isso não significa desconsiderar a importância dos filhos, mas entender que a base de uma família saudável está na relação amorosa entre os adultos.
Quando a atenção se desloca exclusivamente para os filhos, pode ocorrer uma ruptura na dinâmica do relacionamento, levando a conflitos e desafios. Segundo a Visão Sistêmica, a solução é os pais respeitarem a hierarquia dos relacionamentos. Isso significa reconhecer que, embora os filhos sejam uma parte muito importante da família, a base fundamental para um ambiente saudável está na relação entre o casal que os têm.
Ao respeitar essa hierarquia, os adultos reconhecem a importância de nutrir e preservar a conexão emocional entre si. E, quando o relacionamento entre os parceiros é fortalecido, isso contribui diretamente para um ambiente familiar mais estável, seguro e amoroso para todos os membros, incluindo os filhos. Há uma frase de Bert Hellinger que diz: “Nenhum filho é capaz de preencher o vazio e a necessidade emocional do pai ou da mãe”, isso também serve para o casal.
Conclusão: Cultivando Relacionamentos Sólidos
Sendo assim, o segredo para um relacionamento duradouro não é um segredo, mas sim uma jornada compartilhada de crescimento, respeito, compromisso mútuo e priorização do parceiro.
Comece aplicando hoje mesmo algumas ações que transformação seu relacionamento amoroso seguindo minhas sugestões abaixo:
- Equilibre-se: Permita escutar o outro e também fale o que é bom ou não é bom para você.
- Compartilhe os deveres da casa: A casa é de todos e cada um pode fazer algo para contribuir para não sobrecarregar o outro.
- Priorize seu relacionamento: Faça um passeio com seu parceiro. Se aventurem juntos. Está difícil de saber o que gosta? É simples! O que vocês faziam para se divertir quando se conheceram?
- Apoio entre o casal para tomar quaisquer decisões sobre os filhos: Isso mesmo. O casal é quem decide e não os filhos, tire essa responsabilidade deles. Dessa forma, a hierarquia volta a ser respeitada dentro do lar.
- Fale sobre suas limitações se realmente estiver pronto para essa mudança. Afinal de contas, de nada adianta falar de uma limitação se não estiver disposta a mudá-la. Saiba que toda limitação pode ser melhorada de alguma forma e para isso que estou aqui te mostrando um novo caminho.
- Ao adotar uma abordagem sistêmica e cultivar os pilares do equilíbrio, respeito, comunicação, responsabilidade compartilhada e prioridade no relacionamento, os casais podem construir laços verdadeiros e duradouros que resistem ao teste do tempo e proporcionam um ambiente estável e amoroso para toda a família.